sexta-feira, 1 de outubro de 2010

TOLERÂNCIA ZERO


Nessa semana tive uma oferta para dar aula de finanças no SENAC. Pensei com meus botões: “Como seria ensinar alunos que acabaram de concluir o ensino médio?” Liguei para uma amiga que é professora na PUC, para receber umas dicas de como ministrar o curso. Papo vai e papo vem a Camila me perguntou: ”Paty, por que você não vem assistir a uma aula minha de custos? Assim você compara a prática com a teoria”.

Terça-feira às 19:30h fui à aula. Diversão garantida desde o inicio, pois a Camila é do tipo tolerância Zero, daquela que chega ao posto de gasolina, estaciona o carro em frente à bomba esperando o frentista perguntar “Gasolina Dona?”, “Não, não, estou aqui para comprar pão” é a resposta típica da minha amiga.

Enfim, voltando à aula, uma aluna, com cara de menininha do colegial chega para a Camila e questiona: “Professora, dá tempo de comer um lanchinho?” Minha amiga com aquela atitude blasé (vulgo, cara de paisagem) responde para a estudante: “Mariana, a que horas começa a aula?” A aluna responde “Às 19:30h”, A mestre retruca “Que horas são agora?”, “São 19:30h professora”. “Então...” Responde a docente, grossa que nem apito de navio.

O ápice da aula foi quando a Camila explicava o exercício 3 da matéria e desenhou no quadro-negro o número. Um aluno desorientado, no meio da questão, perguntou: “Professora qual exercício você está resolvendo?” A educadora, novamente com a cara de paisagem, pergunta sem alterar o tom de voz: ”Por acaso o senhor acha que eu desenhei o numero 3 na lousa porque eu estou jogando BINGO na aula?” hahahahahaha, nessa eu não me contive. O aluno pediu para ser vaiado.

Outra da Camila: um dia que ela estava explicando roi (roi= giro x margem) um aluno berrava na última fileira: roi ou roe? roi ou roe? O aluno não parava de repetir a frase e não a deixava explicar o indice. Tolerância zero, a mestre disse: "roi, com i de idiota" hahhahahaha ... Por um momento ela achou que ia perder o emprego, mas o estudante levou na brincadeira.

Enfim, empolguei-me com a apresentação da catedrática e fui ao SENAC verificar quanto ganha o professor. Resumo da ópera, fazendo as contas da receita menos as despesas (Gasolina, estacionamento e depreciação do carro) eu ganharia menos do que a minha manicure!!!!! Descobri porque ninguém quer ser professor nesse país! Decididamente meu irmão e minha amiga são guerreiros!

A Marlene, uma amiga do trabalho, depois de descobrir quanto eu ganharia lecionando perguntou: “Mas afinal, você vai dar aula ou vai fazer um curso de manicure? Eu não entendi” hahahaha.

Dá próxima vez que perguntarem para um professor: “Qual sua profissão?” A resposta deve ser: “Não tenho profissão, trabalho por hobby”. Definitivamente quem leciona não quer ganhar dinheiro, trabalha por amor à causa.

Bjs
Paty Quaresma

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